Educação à portuguesa

Escrito a 23/03/2011, publicado nesse dia no facebook, publicado agora aqui…

Como se já não bastasse a burrice de burocracias que fazem com que agora os alunos não possam ser reprovados quando não têm capacidades para passar de ano, agora fala-se em diminuir o número de agrupamentos de escolas, até ao próximo ano lectivo… O que é que vai obviamente acontecer? O número de alunos por turma vai ser cada vez maior. O que é que isto origina? Cada vez menos tempo para pôr em prática uma coisa que durante 4 anos não nos largou os ouvidos: a chamada diferenciação pedagógica! Quanto mais alunos houver na sala, menos tempo haverá para dispensar atenções especializadas. A menos, claro, que a próxima medida da ministra seja aumentar os horários para doze horas de aulas por dia… Aí talvez se consiga dar resposta a todas as exigências. Só se levanta uma questão nesse caso… É que a ministra terá de arranjar mais horas para acrescentar às 24 de cada dia, porque caso contrário os (bons) professores não terão tempo para planear as suas aulas e, ah pois, viver a sua vida pessoal!

Muitos são os cursos que hoje em dia conduzem, quase certamente, ao desemprego. Bem o sei, e quando tirei o meu estava mais do que ciente de que cada ano seria uma luta para merecer (para aqueles que, como eu, não recorrem a cunhas) o meu lugar.

E não sou, obviamente, ministra da educação mas não me parece que ao diminuir drasticamente a oferta de postos de trabalho para aqueles que vão formar a sociedade futura (sem qualquer desprimor para as outras profissões, mas é um facto que se não existissem professores, não existiam profissões…) seja o passo acertado. É claro que compreendo que as escolas nas vilas que têm três alunos estejam a dispensar recursos que poderiam ser poupados se esses alunos estivessem numa escola “central”. Mas é impressão minha ou um dos maiores problemas do nosso país é a desertificação dos meios rurais? E é impressão minha, ou ao destruir as escolas que existem no interior do país, só estamos a incentivar o êxodo rural e o total tamponamento das cidades, que para dar resposta à crescente entrada de população vão sendo alargadas – gastando para isso muito mais do que os recursos utilizados nas tais escolinhas, que ao serem encerradas criaram todo o problema? Será que não há professores que preferem dar aulas numa aldeia a quatro crianças, em vez de se verem fechados numa escola a abarrotar de miúdos, com turmas de 30 crianças que, por não poderem ser reprovadas, apresentam 4 ou 5 níveis diferentes de aprendizagem??

Falando por mim, eu preferia…

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Uma resposta to “Educação à portuguesa”

  1. Se o Min.Educ. nunca foi pródigo em lógica e bom senso, temo que nos próximos dois anos esse e muitos outros organismos oficiais nos surpreendam pelas medidas desmedidas que vão parir. Infelizmente neste momento a questão económica domina tudo até ao ponto da insanidade. Mas afinal foi ela que nos conduziu aqui…

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