Underwater love

Adoro mergulhar. Adoro acordar cedo ao sábado, vestir o fato de banho e deixar-me ir. Literalmente deixar-me ir, porque quando chego ao hotel, onde está o centro de mergulho, é seguir os procedimentos e de repente já estamos no barco. E de repente já estamos no sítio de entrada, e é só cair para trás e, mais uma vez, deixar-me ir. Ir submergindo, sentir tudo à minha volta, ver milhões de peixes de todas as cores, tamanhos e feitios. É uma contaste ultrapassagem de barreiras. Ver rochas e não me assustar. Brincar com peixinhos, ver peixões e estar tranquila. De repente os quinze metros de profundidade passam a 50 ou 60, e não é mau. É uma sensação de libertação como nenhuma outra. A respiração continua compassada, ainda muito racional e a ter de me esforçar por fazer respirações completas e o mais longas possível. Mas já acompanho o ritmo do dive-master. Já aguento a quase hora que estamos todos debaixo de água, as mãos equilibram cada vez menos e o controlo do corpo é cada vez melhor. As pernas dão o impulso de forma cada vez mais calma, a aproveitar ao máximo a energia. Quanto mais calma estiver e quanto menos energia gastar, menos ar gasto e consequentemente mais tempo passo lá debaixo, que é precisamente o que eu quero. Na parede que nos segue ao longo de todo o trajecto, vejo peixes, peixinhos e peixões, vejo moreias, vejo nudibrânquios que para mim são perfeitamente iguais, mas que o instrutor teima que são duas espécies diferentes. Ele brinca com as moreias, elas não mordem. De repente o instrutor aponta para o meio do azul sufocante que nos rodeia. “Está um tubarão ao meu lado!” penso. Não era um tubarão, era só um peixe bem grande afinal. Mas apercebi-me de que se fosse um tubarão, eu estaria surpreendentemente calma. Muito mais calma do que alguma vez teria imaginado. O que me fez ver que estou preparada para o dia em que vir um. Não será um “jogar às damas”, mas estou confiante de que desfrutarei ao máximo do momento e que, certamente, vou querer repetir a injecção de adrenalina.

Quem me viu e quem me vê. Há um ano começava a hiperventilar se nadava num local com rochas. Hoje encaro com tranquilidade a possibilidade de ver tubarões, e até já pedi ao instrutor que se souber da presença de tubarões-baleia me avise, para irmos mergulhar com eles.

Then again, há um ano atrás eu hiperventilava se via uma barata. Hoje em dia passam por mim e eu nem me desvio. Logicamente continuam a não ser o meu animal favorito, mas já respeito o espaço delas, desde que elas respeitem o meu.

Muita coisa mudou em mim este ano. E se possível, sou ainda mais feliz assim!

Uma resposta to “Underwater love”

  1. A auto confiança e a relativização dos acontecimentos são conquistas graduais e por vezes difíceis., mas como tu tão bem sentiste este ano, deixam-nos com uma sensação de plenitude insuperável…
    Em cada dia me sinto mais orgulhosa da minha menina…

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