Percepçoes novas

É engraçado ver a quantidade de coisas ridículas que dou por adquiridas em Lisboa, que já nem vejo o jeito que dão. Quando chego aqui deparo-me com coisas que não existem ou que não são obrigatoriamente feitas da mesma forma, e tenho de me adaptar. A adaptação aqui é constante e é sempre recebida com um sorriso. Não me custa mesmo adaptar, porque estava mentalizada que seria um antagonismo total àquilo que tenho aí. É só uma constatação, é só estranho.

O chegar a casa e não ter água quente para tomar banho – não que precisasse, com o calor que faz! – ou não ter internet 24h por dia disponível e com acesso ilimitado; o não conseguir pagar nada com os meus cartões portugueses, porque não são compatíveis com o sistema cabo verdiano, ou o ter de esperar na fila do banco para levantar dinheiro com a caderneta; o não ter uma morada e viver apenas “na vila do tarrafal”, ou o ter de ir buscar as minhas encomendas ao posto dos correios, porque como não há morada individual, não há correio entregue à porta; os miúdos a andarem descalços ou “de rabo ao léu”, como diz a minha mãe, e não haver um mínimo de dúvida nos pais se aquilo será saudável para as crianças, ou uma menina de 10 anos e ir ao banco com o irmão de 4 ou 5, tratar de assuntos de gente grande…

Tudo isto inunda os meus dias com novidade – embora ainda só tenham passado dois – e me faz pensar nas prioridades que, de facto, impomos a nós mesmos para sermos felizes. Estou a redefinir as minhas prioridades, principalmente no que toca a bens materiais, e a valorizar muito mais as facilidades que aí tinha.

As saudades, essas apertam de manhã quando acordo e vejo que o sonho é real. Não doem, mas apertam cada dia um bocadinho.

Anúncios

4 Respostas to “Percepçoes novas”

  1. Pois é, de repente tu, és eu com a tua idade…não havia cartões para pagar as compras, era preciso ir ao banco e esperar nas filas…havia água quente canalizada, é certo, mas era preciso mudar a botija de gás a tempo, se não queria acabar o banho com água fria… e se em vez de 30 anos recuar 45, lembro-me dos miúdos de “rabo ao léu” e descalços no bairro de barracas que atravessava no caminho para a escola, ou nas meninas de dez anos a tomarem conta de irmãos mais novos… e não era no interior, era à beira de Lisboa. A relatividade da vida é esquecida muitas vezes, ainda bem que a enfrentas, ficarás muito mais rica, meu amor.

  2. Marta Amarelo Says:

    Ana, que vontade de ir também! Não precisam de mais professores? A casa dos 6 quartos ainda teria um vago pa mim? 🙂

    Aproveita bem! Beijinhos.

  3. Ka t’ problema, prima
    belas noticias, belas historias.
    Esta’ visto pela tua descricao que nao mudou nada desde 1994
    continua que estou a gostar
    beijoes do outro lado do mundo
    joao

  4. LOL não te imagino a sobreviver mais de uma semana sem pagamentos por multibanco 😛

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s

%d bloggers like this: