Noite feliz minha avó

Posted in Uncategorized on 21 Agosto, 2014 by eternabarcelonesa

Aos 93 anos, depois de muita mudanća e de muita evolução de tecnologia, ainda se ligava no skype para falar com a sua neta.

A saudade é já mais que muita e a pena de não ter passado mais tempo ao seu lado ainda maior.image

Ficará para sempre a memória das torradinhas da avó, os dias passados à frente da gaveta da máquina de costura e os verões passados na praia da poça e em cascais.

Descanse em paz vovó, de novo ao lado do seu Bito. 

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Noite feliz minha avó

Posted in Uncategorized on 21 Agosto, 2014 by eternabarcelonesa

Aos 93 anos, depois de muita mudanća e de muita evolução de tecnologia, ainda se ligava no skype para falar com a sua neta.

A saudade é já mais que muita e a pena de não ter passado mais tempo ao seu lado ainda maior.image

Ficará para sempre a memória das torradinhas da avó, os dias passados à frente da gaveta da máquina de costura e os verões passados na praia da poça e em cascais.

Descanse em paz vovó, de novo ao lado do seu Bito. 

A educação em Cabo Verde

Posted in Uncategorized with tags on 11 Janeiro, 2014 by eternabarcelonesa

Num país onde o Ministério da Educação envia, para as escolas, o plano curricular do trimestre no mesmo dia em que as aulas começam, não é de estranhar que haja atrasos em todos os outros serviços. A frase que mais se ouve em Cabo Verde, pelo menos na Ilha de Santiago, é “amanhã está pronto” ou, pior, “pode voltar daqui a dois dias”. Nunca nada está pronto no mesmo dia e, uma vez que trabalho numa escola, não pude deixar de notar que os próprios ministérios trabalham partindo do mesmo princípio. No primeiro dia de aulas é esperado que todos os professores tenham já planeado o seu trimestre; tenham já preparadas as metas a atingir e os conteúdos a desenvolver durante os meses que se aproximam. Ainda assim, o Ministério, a entidade reguladora, é o primeiro a enviar um documento de base, um documento essencial ao planeamento das atividades, no dia em que é esperado que tudo esteja pronto.

Questiono-me se não será altura de começar a preparar estes documentos com mais antecedência? Num mundo, como o da educação, que vive de planeamento e de preparação prévia, não seria benéfico tomar previdência e fazer as coisas de antemão?

Para que uma sociedade mude, muito tempo tem de passar. Isto é um facto incontornável, uma vez que a mudança não se faz do dia para a noite. E, é também sabido, que para haver mudança no futuro, tem de haver mudanças no presente, e essas mudanças devem partir, quase sempre, da educação que é dada às camadas mais jovens.

É por isso crucial que a mudança comece a ser operada já, nas crianças que estão agora a começar a escolaridade. É por isso crucial que a mudança comece a ser operada já, nas escolas e nos profissionais que nelas trabalham. E é, por isso, crucial que a mudança comece a ser operada já, nas entidades reguladoras, que estipulam as regras e a forma de funcionamento dos vários postos de ensino.

Cabo Verde começou, no passado ano letivo, a operar uma alteração, a meu ver essencial, na forma como se aborda a introdução à leitura e à escrita. E, pela mesma, dou desde já os meus parabéns ao Ministério da Educação e do Desporto pela belíssima iniciativa! Mas essa iniciativa tem de ser levada a cabo por todos, tanto professores como pais. Essa iniciativa deve ser mais regulada pelo ministério, para certificar que está a ser aplicada de forma coerente e eficiente. E essa iniciativa deve também ser acompanhada de um conjunto de materiais e apoios, que permitam aos professores (e aos pais) prepararem-se da melhor forma, com a maior antecedência possível e da forma mais segura que conseguirem.

Há que levar para a frente as boas iniciativas, há que aprender com os erros e avançar. E, desta forma apelo a que façamos todos a nossa parte; ajudemo-nos uns aos outros e preparemo-nos para a batalha, pois a mudança custa, mas depois da tempestade vem sempre a bonança.

Ao fim de um ano apercebi-me…

Posted in Uncategorized on 28 Junho, 2013 by eternabarcelonesa

… apercebi-me da quantidade de coisas que consegui este ano; da quantidade de sonhos que realizei nestes meses. Alguns de há muito tempo, outros criados pelo caminho de quem se deixa levar pelo vento que corre.

Apercebi-me por exemplo que finalmente, finalmente, realizei integralmente o antigo sonho de “dar em aulas Cabo Verde”. No sentido literal. Desta vez já não foi a meio gás. Dei mesmo aulas em Cabo Verde. Trabalhei a sério, numa escola à sério, com meninos a aprender a sério. E suei a sério. Mas passou um ano, eles aprenderam comigo e eu continuo a aprender com eles. E continuarei, porque desta vez o sonho não acaba. Continua. E continua sem data de validade.

Apercebi-me também que realizei o sonho de juntar dois mundos. Desta vez, metaforicamente falando. Juntei o mundo tranquilo, pacato, parado – Cabo-Verdiano? – do Tarrafal, com o mundo agitado, non-stop e sempre a crescer – lisboeta? – da Praia. Só faltaram as minhas pessoas lisboetas, mas que me provam a cada dia, a cada instante, que estão lá e nada muda.

Apercebi-me que no meio profissional também se fazem amigos. E amigos que ficam, que estão e que já não quero que deixem de estar. Apercebi-me que as frustrações alimentam a semente e ajudam-na a crescer.

E apercebi-me que consigo encontrar o equilíbrio – perfeito? – dentro de uma relação. Consigo ter quase que uma vida dupla sem que isso me confunda ou tire o Norte. Consigo viver a vida livre da companheira de casa, da professora atarefada, da amiga “solteira e independente”, conciliando-a com a vida de família, de casada, de comprometida e dos projectos a dois. E consigo estar incrivelmente feliz em ambas.

Apercebi-me, em suma, de que quando me dou tempo, consigo superar os obstáculos que surgem; consigo derrubar as montanhas que se elevam e consigo juntar mundos que pareciam à partida impossíveis. Apercebi-me que, quando calo as vozes que às vezes me ensurdecem, consigo ver com clareza e delinear estratégias e caminhos. E apercebi-me que quando me situo e determino o percurso, poucas são as pedras que não apanho para construir o tal castelo.

Apercebi-me também, ainda que para isso não tenha precisado de um ano, de que nada disto seria possível sem os dois incríveis exemplos que sempre tive em casa e das outras dezenas de bons exemplos com que me rodeei ao longo dos tempos. A todos, por tudo, o mais sincero obrigado!

De malas e bagagens

Posted in Uncategorized on 30 Agosto, 2012 by eternabarcelonesa

As malas estão arrumadas. A cabeça também e o coração está no lugar. A tranquilidade que se instalou há uns meses veio para ficar e acompanha-me neste novo vôo. Não tenho certezas, ninguém as tem, mas tenho instintos. O instinto de que vai correr bem, o instinto de que estou por mim e para mim, o instinto de que me vou tornar ainda mais naquilo que desejo ser.

O que quero deixar escrito, para quando a tranquilidade estremecer – porque o instinto também me diz que nalgum momento isso pode acontecer – é a memória do bom que é sentir-me assim. Sentir-me eu, sentir-me calma, sentir-me unificada, e um pouco única também. Sentir-me forte, sentir-me capaz e sentir-me amada.

A todos os que me acompanharam este ano, tenho de deixar o meu maior obrigada. À família, de sangue e não só, que nunca falha nem nunca abana. Às meninas e meninos, que me mostram sempre o porquê de ter sempre um regresso em vista. À eterna turminha, que por mais anos que passem nunca cresce. Às caras novas que me preecheram os meses, na altura em que as horas pareciam dias e os dias pareciam infindáveis. Aos portugueses, espanhóis, alemães, americanos, cabo-verdianos, italianos e tantos outros, que diariamente me fazem querer sair mais, conhecer mais, nunca parar.

Há caminhos, por vezes, difíceis de percorrer. Às vezes dói, às vezes não apetece, às vezes parece que não se consegue. Mas se há uma certeza que tenho é que por mais atroz que seja a dor; por mais pesadas que estejam as pernas; por mais inerte que esteja a alma, é só uma questão de tempo até voltar tudo ao normal. Se há uma certeza que tenho é que por mais que caia, consigo sempre levantar-me. E é por isso, para isso, que continuo a arriscar, sem nunca me arrepender.

E assim encontro a paz

Posted in Uncategorized on 12 Junho, 2012 by eternabarcelonesa

Envolvida em noites que já sabem a verão, abraçada pelo calor humano que se sente nas festinhas de bairro a comemorar um qualquer santo. Envolvida na sensação de dever cumprido, num ano lectivo que se aproxima do fim e que puxou todos os limites que nunca calculei ter.
Envolvida em novos sonhos e projectos, que não sei onde me levarão, mas que decerto me levarão a bom porto.
Envolvida numa enorme paz, resultante de estar certa de que sejam quais forem as dificuldades que enfrento, tenho a força e as ferramentas para as ultrapassar. Sinto que subi finalmente a montanha, que cheguei ao cume e que sou finalmente inundada pela paz, o calor e a tranquilidade do vento fresquinho que sopra cá em cima. Não me arrependo de uma única decisão. Dei os passos certos nas alturas certas, aprendi com cada um deles, mas não me deixei intimidar por nenhum. Não desejo um ano como opassado, mas se tivesse de voltar atrás faria tudo exactamente da mesma forma. E é assim que sei o certa que estava em seguir as minhas convicções em todos os momentos. Amei sem medo, arrisquei sem medos e aprendi com todas as dores. Continuarei também no futuro a amar sem medos e a arriscar sem medos. Porque é a única forma de viver bem. Os pontos baixos fazem parte e doem, mas quando chegamos cá acima, vemos o bom que foi, mesmo quando parecia tudo mau.

Estou feliz e gosto. E agora que venha daí o verão e com ele todas as aventuras características!

Geografia da felicidade

Posted in Uncategorized on 16 Abril, 2012 by eternabarcelonesa

“Alguns lugares são como a família. Aborrecem-nos até mais não, especialmente nas férias, mas continuamos a voltar porque sabemos, lá bem no fundo do coração, que os nossos destinos estão entrelaçados.” – Eric Weiner

Eu acrescentaria que, em qualquer lugar onde formamos raízes, por maiores que sejam os altos e baixos que lá passamos, há sempre o ímpeto de voltar. Não há O lugar onde somos felizes. Numa vida podemos ser felizes em dezenas de lugares. É o bichinho que temos cá dentro que nos diz qual é esse lugar. E por mais que nalguns dias pensemos “no que é que me vim meter?”, é quando chegamos ao final do dia e respiramos fundo que sabemos se fizemos a escolha certa. Em mim, por norma, é quando depois da respiração funda surge um sorriso sincero.