Se eu dissesse tudo aquilo que sinto…
…dizia-te olá todas as manhãs; dizia-te boa noite sempre que me fosse deitar; contava-te cada pormenor do meu dia, o que me faz rir e o que me faz chorar. Se eu dissesse tudo aquilo que sinto, saberias que o teu nome me vem à cabeça várias vezes ao dia, mesmo quando não há razão lógica para que aconteça; saberias que o meu coração se aperta quando ouço falar criolo ou vejo uma imagem que reflecte o calor e tranquilidade tropicais que aí vivi. Se eu dissesse tudo aquilo que quero, repetiria vezes sem conta que o que quero é ter-te cá, perto; que o quero é poder mostrar-te o meu mundo, tal como me mostraste uma parte do nosso. Se eu dissesse tudo aquilo que me faria feliz, saberias que tu eras uma parte integrante dessa felicidade; que aquilo que me faz feliz agora não é o suficiente, porque ainda faltas tu.
Mas digo o que devo e não o que sinto, porque é o que devo fazer que me vai levar a um futuro saudável, não o que sinto ou o que desejo que pudesse ser. Não pode, e tenho de o aceitar, porque nós quisémos que assim (não) fosse. E é por isso também que não quero que digas o que sentes, porque me custa saber que queres o mesmo que eu, que também desejas que pudesse ser diferente…